Escrito por: Nicolle Pedrosa Rodrigues
É realmente um novo dia para o Homem Aranha.
Homem Aranha: Um novo Dia (Spider Man: A Brand New Day) é o novo filme da franquia da Marvel, e diferente dos outros filmes, Peter Parker (Tom Holland) se vê absolutamente sozinho. Antes, rodeado de amigos, família e super-heróis, nesse novo dia ele se encontra em uma realidade muito diferente dos filmes anteriores.

Pôster Spider Man: Brand New Day – Fonte: Spider-Man: Brand New Day (Movie, 2026) | Cast, Release Date, Characters | Marvel
Destin Daniel Cretton dirige o filme com maestria, mesclando a nostalgia deixada pelas antigas obras com uma carga dramática atrelada à nova realidade vivida por Homem Aranha (Tom Holland). E se fez presente até nos mínimos detalhes, como no uniforme utilizado pelo herói (que mistura traços de versões anteriores), como também nas teias orgânicas, que resgatam o legado do filme Spider-Man (2002), vivido por Tobey Maguire.
O filme se inicia com um Homem-Aranha muito workaholic e nostálgico, viciado em resolver crimes e prender vilões, o herói passa todo seu tempo tentando ocupar sua mente da dura decisão que tomou: ter escolhido ser esquecido por todos, incluindo seu melhor amigo Ned (Jacob Batalon) e o amor de sua vida, MJ (Zendaya). Apesar disso, o trio segue entregando uma cumplicidade que soa espontânea na tela, mesmo dividindo
menos cenas juntos do que boa parte do público imaginava.
Imagem retirada do filme – Fonte: https://a.ltrbxd.com/resized/alternative-backdrop/8/7/2/8/7/1/tmdb/aUwBxnrzJ3Q8rJsrs3WXvXjVLj0-1200-1200-675-675-crop-000000.jpg?v=3d3255a376
Com uma nova ameaça em Nova York, as consequências de suas escolhas pessoais se entrelaçam com suas missões, ocasionando uma sobrecarga mental (e física) avassaladora no herói, se manifestando em sentidos extremamente aguçados, olhos completamente pretos, dores de cabeça agudas e uma raiva repentina e incontrolável.
O diretor Destin Daniel Cretton consegue atingir o público com êxito, traçando uma nova jornada para o Homem-Aranha. É uma dramaticidade e um poder de identificação que nenhum outro filme estrelado por Holland havia alcançado até aqui, justamente por voltar os holofotes para as questões centrais de Um Novo Dia, que aproximam o herói de um ser humano comum: solitário, ansioso e carregado de traumas. E é exatamente essa fragilidade que Tom Holland transmite com precisão.
E é dentro desse novo protagonismo que surge um dos achados mais interessantes da trama: ainda que ninguém mais se lembre de Peter, é ele quem carrega na memória todas as pessoas ao seu redor, e essa condição, por si só, já é suficiente para transformar quem ele ama em alvo de perigo.

Mas essa dramaticidade não é o único elemento que faz o filme memorável, Cretton aproveita as características e bagagens do herói para criar cenas incríveis que com certeza não serão facilmente esquecidas pelos fãs. As cenas de luta são bem coreografadas, intensas e únicas, além dos voos teiosos por NY serem feitos com muita destreza. A eliminação de CGI’s exagerados cria uma harmonia visual muito bem-feita.

Quadrinho inspiração para retratação do vilão no filme – Fonte: Referências em Quadrinhos e Vilões em ‘Homem-Aranha: Novo Dia’
Também é preciso destacar o ótimo trabalho realizado pelos roteiristas, ao retratarem tantos personagens e não perderem a direção do filme. A parceria entre Peter Parker e o Justiceiro se destaca justamente pela sintonia natural entre Holland e Jon Bernthal (amizade que vem de fora das telas). Já a coleção de oponentes enfrentados pelo herói é bastante variada, indo do assustador Hulk ao mais bem-humorado Boomerang, sem esquecer nomes tradicionais do universo do Aranha como Lapide e Escorpião. Cada um deles ganha seu momento de destaque, ainda que breve, sem nunca perder de vista o papel que exerce dentro da trama principal.
Ao final, Sadie Sink dá vida a personagem Jean Elaine Grey, que introduz o início para os X-Men no universo Marvel, a trama deixa em aberto questões que prometem ganhar peso nos próximos capítulos, que é o caso dos experimentos cruéis realizados em humanos “especiais” (mutantes).

Imagem de Jean Gry retratada no filme – Fonte: https://www.looper.com/img/gallery/jean-greys-mcu-powers-in-spider-man-brand-new-day-explained/l-intro-1785367783.jpg
Um Novo Dia faz jus ao próprio nome: depois de anos em que o personagem parecia apenas gravitar ao redor de tramas maiores do que ele mesmo, o filme finalmente devolve o protagonismo a Peter Parker. É esse deslocamento que dá ao filme sua energia intensa e um tanto caótica, mas também sua identidade, afinal, com os holofotes voltados só para si, temos um Homem-Aranha pelo qual vale a pena torcer e continuar acompanhando.

